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A sabedoria popular declarou a leitura como um passatempo em declínio e assim nasceu o famoso “não gosto de ler”. Mas esta é uma confissão curiosa. Será verdade que, para alguns, ler será sempre algo mais próximo de uma obrigação do que de um prazer (sem ressentimentos!), no entanto, parece existir um novo grupo para quem a distância dos livros resulta do facto de não saberem por onde começar.

Assim, para todos aqueles dispostos a considerar a inclusão de um novo passatempo na rotina, seguem algumas sugestões:

1. Começa por algo curto e simples. Por outras palavras, para aqueles que não têm hábitos de leitura regulares e estão apenas à procura de uma porta de entrada para os construir, talvez não seja a melhor ideia começar com qualquer livro cuja densidade seja notória — como o “Guerra e Paz”.

Escolhe algo que não pareça intimidante, porque é importante ser realista: se algo com mais de 80 páginas perde o apelo pela extensão, poderá ser mais fácil começar por short stories. Autoras como Carson McCullers (“The Ballad of the Sad Café”) escrevem de forma clara e acessível, sendo excelentes opções para começar um novo contacto com a leitura.

Adicionalmente, para algo com mais algumas páginas, mas igualmente simples e capaz de entreter e captar a atenção, sugiro policiais como aqueles escritos por Agatha Christie (“And Then There Were None”).

Acessível e fácil de ler são as primeiras exigências a cumprir numa fase inicial.

2. Despender de dinheiro. Consumir literatura tem custos. Mas estando ainda numa fase de simultânea construção do hábito e de um gosto literário autónomo e pessoal, será natural existir alguma hesitação relativamente ao despender de dinheiro num hábito ainda em progresso, algo do qual não se tem a certeza de que se irá gostar.

Antes de comprar (especialmente, online) pode ajudar verificar se existe uma opção de ler uma amostra – assim, o leitor terá uma prova inicial que poderá determinar a escolha final.

3. Literatura “correta” não existe. Todas as leituras que não sejam feitas por necessidade – porque fazem parte da bibliografia de uma cadeira, para fundamentar um ensaio ou um trabalho de pesquisa, por exemplo – devem ser feitas por prazer. 

Para torná-la num hábito, há que tornar a leitura uma questão de gosto. A primeira pergunta deverá ser: porque me interesso? Quais são os assuntos, por mais nicho ou peculiares que aparentam ser para o resto do mundo, em que estou disposta a gastar tempo?

Quer não resista a uma história de ficção científica (“The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”, de Douglas Adams), tenha como fraqueza secreta ensaios sobre a vida de personalidades dos anos 60 (“Slouching Towards Bethlehem”, de Joan Didion) ou seja fã irredimível de literatura de viagens a lugares misteriosos e longínquos (“Dentro do Segredo: Uma Viagem à Coreia do Norte”, de José Luís Peixoto) – o gosto depende apenas da escolha do livro certo.

4. Audiobooks e a questão do tempo. Ler é uma atividade que pode ser morosa – e, numa época onde as horas do dia parecem ser cada vez mais escassas e que exige a repartição constante da nossa atenção entre várias tarefas, pode parecer difícil encontrar tempo para dedicar à leitura regular de algumas páginas.

Contudo, esta questão do tempo não deverá ser impedimento do contacto com novos contos e histórias. 

A solução? Audiobooks. O formato auditivo permite o contacto com a história ao longo do dia. Um livro transforma-se numa playlist que nos pode acompanhar em tudo, desde a viagem de travessia do rio Tejo até ao processo de limpeza da casa, ou como forma de relaxar ao fim do dia.

5. Sugestões de amigos. É certo que haverá sempre alguém no grupo que não costuma ler; é igualmente certo que haverá alguém que tem por hábito fazê-lo. Sabendo que existem poucas pessoas no mundo que nos conheçam tão bem como os nossos amigos, será boa ideia pedir-lhes alguns conselhos!

Quem melhor para nos recomendar o livro perfeito? Alguém que esteja habituado a ler regularmente terá um conhecimento mais amplo das possibilidades disponíveis, e mais fácil do que passar os olhos por enésimas sinopses será perguntar a um amigo próximo, ‘O que é que sugeres para mim?’

De um amigo para outro, aqui seguem algumas recomendações: “Circe”, de Madeline Miller; “Capitães da Areia”, de Jorge Amado e “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos.

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