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Terminei o meu curso em outubro de 2021. Como muitos estudantes, não tive um ano de finalista como o idealizado. Poucas saídas à noite, pouco contacto presencial com colegas e professores, e muito poucas oportunidades para criar relações além de trabalhos de grupo. 

Assim que comecei o estágio curricular o contexto pandémico também não era o melhor, por isso, trabalhei numa empresa com grande parte dos trabalhadores em teletrabalho e comunicação à base de mensagens, e com poucas oportunidades para criar o valorizado networking. 

Procurar emprego quando grande parte das empresas receavam o dia de amanhã, devido ao contexto pandémico, não foi um desafio fácil. Nessa altura recebi diferentes respostas por parte das empresas, mas a razão passava sempre pela pandemia. Em alguns casos, os processos de recrutamento eram terminados por causa do covid-19, noutros casos não contratavam por causa da pandemia.

O teletrabalho é um tema do momento e as indecisões são grandes, quer por parte das empresas, quer por parte dos trabalhadores. Ainda ninguém conseguiu encontrar o formato perfeito. Mas, para um elemento novo numa empresa trabalhar à distância é um grande obstáculo. Criar relações por de trás de um ecrã é muito complicado, porque raramente surgem oportunidades para partilhar um pouco da vida pessoal e criar maior empatia pelos colegas de trabalho.

Por outro lado, a necessidade de criar rotina é gigante, porque estar fechada entre as mesmas quatro paredes todos os dias limita muito a criatividade de cada um, e ao mesmo tempo, a vida pessoal começa a estar demasiado ligada à vida profissional. Outro ponto relevante é criar hobbies fora de casa, uma dica é passar a fazeres aulas de grupo de algum desporto, ou por exemplo, instrumento musical. Assim, continuas a ter diferentes contactos sociais diários.

O teletrabalho romantizado nos filmes é uma grande mentira. Os filmes mostram sempre o café perfeito para trabalhar e a alegria de trabalhar de fato-de-treino todos os dias. Não, não é giro. E não teres a necessidade de te arranjares todos os dias permite-te sempre mais “5 minutos” de cama, que nem sempre são só 5 minutos. E cafés com tomadas, silêncio, internet e bom ambiente? Ainda não os encontrei.

Mas não é tudo péssimo. Na verdade, consegui passar a ter muito mais tempo para mim, desde tempo para ler, para ver filmes e gastar muito menos dinheiro em gasolina e transportes públicos. Sem esquecer os dias de inverno em que trabalhar com um cobertor é o melhor dos dois mundos.

Com a pequena experiência que tive até agora o relevante é criares uma rotina e encontrares uma empresa onde consigas ter o maior apoio para o trabalho à distância. Além de mais, um dia os transportes vão voltar a estar cheios à hora de ponta, o trânsito vai voltar a estar infernal e vais ter de voltar a fugir daquele colega de trabalho com quem não queres gastar o teu intervalo. Até lá, aproveita a melhor parte do teletrabalho. 

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