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Diogo Reffóios Cunha, 35 anos, trabalha na área da comunicação e do marketing. Onde? Onde quiser. Afinal, é um nómada digital e acredita que pode trabalhar a partir de qualquer ponto do mundo para qualquer empresa. E defende que cada um tem direito à sua liberdade.

Com este lema de vida, encontrou a chave para a sua estabilidade pessoal e profissional. E ainda quer passar esta mensagem e ensinar outros trabalhadores, através da Summit do Nómada Digital, marcada para 11 de abril, para a qual já podes comprar os bilhetes

Apesar de já ter uma longa experiência em projetos de marketing, nunca concluiu o curso de Marketing e Publicidade do IADE. Foi através de um estágio na Coca-Cola que começou a dar os primeiros passos no mercado de trabalho.

DR.

A eterna questão. “O que é que vou fazer à minha vida”? 

No fim do estágio começou a trabalhar como freelancer, mas assume, em conversa com o WIZZ, que lhe “faltava qualquer coisa”. Hoje, diz que era a falta de  “liberdade, disponibilidade mental de fazer o que me apetecer, ter objetivos, mas também ter disponibilidade para os cumprir e não ter necessariamente a um horário das nove às cinco”, partilha.

Em 2016, defrontou-se com a questão: “O que é que vou fazer à minha vida?”. Sentia-se num “limbo” e, assim, tomou a decisão de de comprar uma viagem “à maluca” para ir três meses para o Vietname. Os planos não correram como idealizou, acabando por perder todos os clientes. Quando chegou a Portugal começou uma pesquisa de trabalhos remotos e encontrou o conceito de nómada digital. Nesse momento, comprou o domínio de “nomadadigital.pt”, onde contava a sua experiência e estilo de vida. Depois, com esse coletivo de nómadas criou a Nómada Digital Summit. Em abril vai realizar-se a segunda edição, a #NDSummit, focada no trabalho híbrido, com o objetivo de ensinar as pessoas a trabalhar com esta filosofia. O evento vai contar com a presença da Ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, bem como “vários portugueses e falantes portugueses espalhados pelo Mundo, das mais diversas empresas. De cargos de criatividade e outros de responsabilidade, que conseguem fazer tudo através do computador”. Se eles conseguem nós também havemos de conseguir”, conta-nos Diogo Reffóios.

Neste momento, o marketeer tem uma base física de trabalho, a Academia de Código, no Porto. A rotina passa por ir para o escritório na parte da manhã e durante o resto do dia trabalhar através do computador “em casa ou no café”. Mas, sublinha, que os seus dias têm sido programados assim, porque lhe “apetece”. Reforça, que com um portátil pode trabalhar de onde quiser. O nómada digital assume que é um pouco “abrupto”, mas não aceita que colegas de trabalho lhe enviem mensagens a perguntar: “Onde estás?”. Isto porque, explica, escolhe tudo à base da liberdade e que este tipo de mensagens se traduz num grande sentimento de culpa.

Diogo Reffóios refere também a importância de as equipas se adaptarem e valorizarem uma comunicação assíncrona, que passa por não existir uma necessidade de responder a todos os emails e mensagens de forma imediata. Pois, nem tudo é “hiper urgente”, referindo que “nós podemos ter urgências e prioridades, mas também precisamos de vida”, daí a ideia da comunicação assíncrona. 

O nomadismo digital e o estilo de vida ajudaram-no a ficar mais relaxado com mensagens e e-mails “urgentes” e perceber que precisa de parar um pouco, “ou dar uma voltar na rua”, levar o problema consigo e responder ao problema com “muito maior propriedade, com estrutura, sem ser na excitação de responder”, partilha com o WIZZ. 

DR.

“Às vezes, a nossa mente estrága-nos a cabeça”

A pandemia alterou a visão dos empregadores e dos trabalhadores sobre os métodos de trabalho, criando novas estratégias de produtividade e mecanismos para o trabalho remoto, presencial, ou  híbrido. O Governo também alterou a lei do trabalho, passou a investir em co-working, co-livings e implementou meios para atrair turismo de nómadas. Portugal foi considerado um dos melhores países para os nómadas digitais. 

Reffóios Cunha confessa, que continuam a existir empresas a não aceitar trabalhadores remotos, nem nómadas digitais, nem pessoas em teletrabalho, mas diz que tem de existir “uma maior exigência do nosso lado enquanto trabalhadores. “Às vezes, a nossa mente estrága-nos a cabeça. Pela necessidade e vontade de querer trabalhar, sujeitamos-mos a coisas que não há necessidade e que já não se usam nos dias de hoje”, comenta o jovem. 

Diogo Reffóios partilha com o WIZZ que não precisa de estar rodeado apenas de nómadas, mas de pessoas com o “mindset de que a vida é para se viver e não para trabalhar”. Ao mesmo tempo, admite que o trabalho é importante e faz parte da vida de cada um, mas ocupando tantas horas da vida tem de ser algo “o mais prazeroso possível”. 

Para o marketeer, o ideal é ter uma profissão que lhe dê liberdade física para escolher o sítio onde trabalhar. Contudo, assume que antigamente boicotava-se a si mesmo, procurava trabalhos das nove às cinco. 

Motivado pela “procura da estabilidade que toda a gente diz e fala para uma estabilidade física e financeira”, mas foi como nómada que descobriu como encontrar o equilíbrio pessoal e profissional. 

Sublinha ainda a necessidade de educar os universitários a “saberem procurar um trabalho específico para eles e não qualquer coisa”.

DR.

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