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Cuidado. Há programas capazes de monitorizar e recolher os teus dados pessoais, sem o teu consentimento e em tempo real. E o pior é que há mesmo portugueses que acham aceitável espiar o telemóvel do parceiro, com ou sem recurso a programas deste género. 

Se, por um lado, há quem não veja “qualquer problema” em espiar o telemóvel do parceiro; por outro, há quem não tenha noção de que existem ferramentas capazes de monitorizar e recolher dados pessoais em tempo real, sem autorização ou consentimento, em qualquer lugar aparelho tecnológico. Mas já lá vamos.

Quando se trata de monitorizar e espiar o parceiro sem o seu consentimento ou conhecimento, 1% dos portugueses não vê qualquer problema e considera até que é “aceitável” em certas circunstâncias. Esta é uma das conclusões de um estudo, desenvolvido pela Kaspersky, uma empresa especializada em cibersegurança, que contou com 21 mil participantes em todo o mundo, do qual Portugal também fez parte.

Alerta, invasão de privacidade?

Entre os 11% que acreditam que há circunstâncias capazes de justificar a monitorização do parceiro, quase dois terços admitem que o fariam se suspeitassem de infidelidade, se a monitorização tivesse que ver com suspeitas sobre a sua segurança (56%) ou, ainda, se acreditassem que o parceiro estava envolvido em quaisquer atividades criminosas (48%), avança o presente estudo, citado pela revista “MAGG”.

Mas, calma, porque as conclusões não ficam por aqui. E o consentimento nem sempre é descartado, já que 6% dos inquiridos em Portugal afirma que já lhes foi pedida a instalação de uma aplicação de monitorização nos seus equipamentos informáticos.

As estatísticas são claras e a maioria dos portugueses (84%) garantem que confrontariam o seu parceiro caso descobrissem que estavam a ser monitorizados. 

No entanto, 15% dos participantes revelou já ter sido vítima de alguma forma de violência ou abuso por parte do parceiro. Isto porque, neste sentido, a monitorização digital também pode ser considerada uma forma de exercer controlo nas relações íntimas e interpessoais e, portanto, rotulada como uma forma de abuso.

Cuidado com as tecnologias

Há ferramentas que recolhem os teus dados pessoais, sem o teu consentimento e em tempo real. E não, não acontece “só aos outros”, já que Portugal é o 12.º país da União Europeia a ter mais utilizadores afetados por stalkerware — ou seja, ferramentas digitais capazes de ler e conhecer, em tempo real, as comunicações, os movimentos físicos e a atividade online da pessoa visada. Já para não falar de que, em Portugal, há quem não esteja ciente da existência de ferramentas que recolham dados privados e em tempo real.

Para Vanessa Gonzalez, diretora de comunicação da Kaspersky Ibéria, a investigação em causa não deixa margem para dúvidas. “As conclusões do nosso estudo demonstram bem como estas ferramentas e plataformas, e o fenómeno do stalkerware em geral, são desconhecidos por grande parte da sociedade, demonstrando a importância e urgência em sensibilizar os indivíduos para estes temas, consciencializando-os dos perigos e partilhando formas de se manterem seguros”, lê-se na mesma publicação.

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