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Medo, confusão ou entusiasmo podem ser algumas das emoções que estás a sentir. Um texto de opinião escrito por Alice Brazete.

 

Se calhar és daqueles que entrou por uma décima em engenharia civil, ou dos que mesmo tendo um valor acima do último colocado do ano passado, tinha receio de não ficar colocado. Pondo as diferenças de parte, querido nerd, queria dar-te as boas vindas ao que creio que seja o local do país que reúne mais óculos, pessoas casualmente vestidas de pijama e QI elevado, o técnico.

O processo de adaptação ao técnico foi ainda mais difícil do que aprender equações diferenciais e que ainda estou a tentar dominar. Por isso, queria partilhar algumas das coisas que fui aprendendo nesta jornada, que penso que pode ajudar, principalmente quem acabou de cair aqui de paraquedas (ou foguetão se fores de aeroespacial).

 

Já não és o rei da cocada

A maior parte dos cursos do técnico tem médias muito altas, o que faz com que todas as pessoas do teu curso sejam tão ou mais inteligentes do que tu (sim há alguma percentagem de sobredotados). Já que estão todos os alunos num nível elevado, e não muito diferente uns dos outros, é necessário um novo nível de dificuldade e esquisitices para haver distinção entre eles. Como já ouvi dizer por um professor meu “Vocês são a nata da nata, e por isso têm de ter testes de nata também”. 

 

Sentir-se como um peixe fora de água é normal

No secundário, tudo poderia parecer alcançável com pouco esforço, mas uma vez no técnico, o cenário muda bastante. Por vezes parece-me que os professores falam noutra língua que só eles entendem e é muito frequente sair de uma aula de 2h sem entender absolutamente nada do que lá aconteceu. Isto pode ser bastante arrebatador nos primeiros tempos, mas acredita que tudo tem solução. É importante que não entres em pânico, e em vez disso ponhas as mãos à obra! Tenta pedir ajuda a alguém que fale a mesma língua que o professor, ou encontrar sebentas com a tradução. Afinal não há nenhum idioma que não tenha dicionário.

 

Vais ter de aprender sozinho

Os professores da universidade são muito diferentes dos do secundário. A grande maioria está apenas a cumprir um horário, sem ter quaisquer skills de oração ou pedagogia. E uma coisa é certa, vão fazer de tudo para que sintas o que está no ponto 2. Ouvi comentários como “O exame é fácil já o deviam ter acabado” a meio de um exame, ou “Se acabarem cálculo com menos de 13 vão ser engenheiros fraquinhos” ou ainda o típico encorajamento “esta matéria é fácil, se não entendem, não vão entender nada do que vem a seguir”. Muitos docentes recusam-se a ensinar, ou a esclarecer dúvidas, pelo menos sem primeiro te enxovalhar por não saberes. Irás ouvir muitas vezes que as tuas perguntas são “nonsense”, que toda a matéria é trivial (apesar de para os alunos ser um bicho de 7 cabeças). Por isso, aconselho-te a procurar material deixado por alunos anteriores, como sebentas e resumos, ou até exercícios resolvidos. Pensa que no fim do curso, a maneira como vez algo que não sabes vai mudar, porque desenvolveste ferramentas que te permitem aprender qualquer coisa, o que é bastante útil no mercado de trabalho (e na vida).

 

Existe competição

Apesar de acreditar que é possível encontrar um bom grupo de amigos no técnico, nunca vai deixar de haver competição entre vocês, mesmo que saudável. Todos querem ter a melhor nota, e entrar no melhor estágio, e para isso por vezes é necessário omitir para eliminar eventual concorrência. Nem sempre é fácil encontrar alguém para te ajudar com uma dúvida ou projeto, pois nos grupos de curso as pessoas nem sempre respondem, mas com alguma insistência tudo se consegue. E claro que muito depende das pessoas do teu ano e do curso onde estás!

 

A universidade não é só estudar

É muito fácil ignorar a nossa saúde mental e vida social quando temos 4 projetos e 5 testes numa semana. Mas ao contrário das cadeiras, não há recurso na tua vida. Por isso, tenta aproveitar todo o tempo livre que tiveres (mesmo que sejam só 5 min)  para te divertires e aproveitares todas as oportunidades fora da sala de aula. Está atento aos emails do Nape, especialmente os do programa Mentorando, pois é uma ótima oportunidade para conheceres pessoas do teu curso, do teu ano e superiores. Participa em núcleos de estudantes (existe um para cada gosto acredita) e não percas os churrascos, arraiais e jantares de curso.

 

O calendário e o método de avaliação é diferente

Deste que foi implantado o novo modelo de ensino, no técnico existem 4 períodos de 7 semanas. Após o primeiro e terceiro período existe semana de preparação para exames seguido de  uma semana de exames de primeira fase. Após o segundo e quarto período existe também segunda fase dos exames do período atual e anterior. Existem cadeiras por período e outras por semestre.

Quanto ao método de avaliação, na maior parte das disciplinas existe avaliação continua e exame. Na avaliação continua poderás fazer projetos, trabalhos, mini-testes, quizzes, relatórios ou apresentações. Cada professor escolhe o cocktail de métodos de avaliação que entender, sempre em grande quantidade, o que faz com que exista avaliação todas as semanas, várias vezes por semana/dia.

 

O curso faz-se no recurso

Somando a quantidade e dificuldade da matéria com uma micro-época de exames, é bastante frequente chumbar-se em primeira fase. E apesar de poderes sentir que é o fim do mundo, na verdade não é. É precisamente para isso que serve o recurso! Tal como podes sempre repetir a cadeira noutro ano. Ao contrário do normal, o que importa é o fim, não a maneira como lá chegaste.

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