Tempo de leitura: 2 minutos

Calma, acontece. E até pode não ter que ver com nenhuma característica da tua nova alegada paixão, mas com uma hormona libertada pelo teu próprio corpo. Explicamos porquê.

Fruto de uma química inesperada numa saída à noite ou até da troca de meia dúzia de mensagens numa aplicação de encontros, a verdade é que um encontro casual pode ser uma forma fácil e emocionante de satisfazer desejos carnais. Sem compromissos e, supostamente, sem sentimentos na equação. Repito: supostamente. 

 Sim, vamos evocar clichês, mas a verdade é que não tens total controlo sobre o que sentes e muito menos nas reações que o contacto físico pode espoletar no teu corpo ou, pior, no teu coração. E, às tantas, dás por ti apaixonado, sem aviso prévio. 

Mas, calma, tudo tem uma explicação e, podes sempre dizer que a culpa não é tua, mas, sim, da oxitocina. 

Isto porquê? Porque, durante o sexo, o corpo liberta oxitocina, vulgarmente chamada “hormona do amor”, que te leva a sentir uma profunda ligação com o teu parceiro durante e após o ato. Independentemente de ser um caso pontual ou uma situação regular, explica a psicoterapeuta Bernadette Gea Gea, em entrevista à revista “VICE”. 

“Às vezes, o apelo do encontro de uma noite – sem compromissos ou responsabilidades permanentes – pode ser de outro mundo, e é fácil rendermo-nos a isso. As sensações são elevadas e os sentimentos podem ser muito intensos nesta fase”, conta. 

E, não, não há nada de errado em desenvolver sentimentos por “um caso de uma noite” – já que, segundo Gea Gea, a relação não está necessariamente condenada ao fracasso e pode efetivamente dar origem a algo sério e duradouro. Se ambas as partes estiverem predispostas a tal, claro. 

“É importante entender que é normal sentir. É uma questão de autorregulação e de escolher como responder aos sentimentos. Se conhecermos as nossas tendências, podemos aprender a cuidar melhor de nós”, explica a psicoterapeuta. 

“Tendemos a amar como adultos da mesma forma que amávamos quando erámos crianças e isso é baseado na forma como os nossos principais cuidadores nos amavam. Se houve algum tipo de inconsistência, ambivalência, negligência ou abuso na nossa ligação precoce com os nossos pais, infelizmente, tendemos a sentir consequências disso também como adultos”,

“Acho que é importante que as pessoas aprendam a conectar-se consigo mesmas, e compreendam as suas próprias necessidades, e sejam realmente claras sobre o que querem. Também para se perguntarem se a outra pessoa é realmente um parceiro com potencial, ou estão apenas a deixar a esperança de amor fugir com eles e determinar o seu comportamento,” completa.

À mesma publicação, a especialista faz questão de explicar que tudo depende da predisposição de cada um para aquela que será (ou não) uma futura relação. 

Para aqueles que têm a certeza de que não estão à procura de nada a longo prazo, Gea Gea garante que há formas de evitar complicações em encontros casuais. Sendo que tudo se resume a honestidade e comunicação. 

Quem não está interessado em qualquer relação para além dos encontros casuais, “deve apenas ser claro e honesto sobre as suas intenções. Já que não é responsável pela reação e comportamento da outra pessoa”, diz.

Já quem está emocionalmente investido, deve “reconhecer esses sentimentos de forma honesta, deixá-los existir e, depois, deixá-los ir”.

Isto, claro, com a ressalva de que “podemos desenvolver sentimentos, mas não temos de os agarrar. É possível deixá-los vir, ficar por um tempo, e passar”, conclui  Bernadette Gea Gea.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.