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É a cidade dos estudantes, dos doutores e a casa de muitos jovens que vêm de fora. Maria Inês Oliveira, estudante, recorda o carinho no olhar de todos os que a receberam. 

Chamam-lhe Coimbra dos estudantes e dos doutores. Para muitos, é até uma cidade-casa. Para mim, é isso mesmo que ela é. Recebeu-me de braços abertos em setembro de 2019, como se já tivesse sido dela e acolheu-me de tal modo, que agora, na reta final da minha licenciatura, dizer-lhe adeus é algo em que prefiro não pensar. 

Coimbra não foi a primeira cidade que escolhi para iniciar os meus estudos universitários. Foi Lisboa, a típica cidade que a maioria dos estudantes diz ser a melhor para se estudar, não só por ter faculdades de grande prestígio, mas por ser uma cidade grande, onde as oportunidades são ilimitadas. A verdade é que a minha experiência nesta cidade não foi a melhor. No início, o ritmo frenético, a pressa, o stresse incontrolável a que todos pareciam estar sujeitos faziam-me alguma confusão. Venho de uma cidade pequena — Santarém — onde tudo é mais calmo e não existe tanto alvoroço.

Acabei por me habituar. Aliás, não havia outra alternativa que não passasse por aí. Depois de ter aceitado que era naquela cidade que iria viver, comecei, precisamente, a não gostar do curso em que estava inserida. Nada parecia estar a correr bem. Quando algo estava resolvido na minha vida, aparecia outra complicação, outro receio ou dúvida para me atormentar. Além disso, sentia que aquele curso não era para mim, que não me encaixava de todo naquilo que era lecionado.

O carinho no olhar de quem, em Coimbra, olha para quem vem de fora

A única solução era mudar. Acredito que estar durante muito tempo a fazer algo de que não gostamos é um sofrimento certo.

Decidi, em setembro de 2019, que não só iria mudar de curso como de cidade. Seria uma nova etapa, uma nova viragem. Coimbra foi, então, o destino escolhido, até porque outrora tinha ouvido falar muito bem dessa cidade e do seu ambiente universitário. Confesso que não pensei em mais nenhuma. Parecia estar destinado. Talvez estivesse.

Quando cheguei a Coimbra pela primeira vez com 19 anos, percebi logo que iria ser diferente daquilo a que estava habituada em Lisboa. Não havia comparação possível, até pelo simples facto de não sentir que as pessoas estavam sempre com pressa. Só isso fazia valer a pena. No entanto, o que realmente me fez amar essa cidade foi o conforto, o abraço que recebi por ser de longe, o carinho com que me olhavam.

O ambiente académico era completamente diferente. Em Lisboa, muitas das vezes a frieza das pessoas acabava por afastá-las umas das outras. Cada uma delas focava-se na sua própria vida e esquecia-se daquilo que realmente importava. Atenção, não julgo ou crítico, porque eu própria acabei por, naturalmente, fazer o mesmo. 

Em Coimbra foi tudo muito diferente. As pessoas, neste caso os estudantes de outros anos, quer naturais da cidade quer de longe, foram logo ao meu encontro. Ajudaram-me a conhecer os cantos à faculdade e à cidade. Combinámos saídas, convívios, jantares em casas diversas para nos conhecermos melhor. Foi algo que, sem dúvida, me fez querer ficar. 

O curso também foi ao encontro daquilo que esperava. Estava, finalmente, verdadeiramente feliz. As praxes, que eram algo que me deixavam um pouco receosa, surpreenderam-me pela positiva. Quer as da minha faculdade, quer as de curso (ESEC) foram incríveis. Adorei cada segundo e repetia tudo novamente, desde os jogos às danças, desde os convívios aos hinos de curso, desde as baladas aos concertos junto ao mondego.

Agora, como terceiranista, carrego a minha capa negra cheia de memórias verdadeiramente únicas e levo comigo pessoas que sei que serão para a vida. A todos vocês que estão a ler este texto, digo-vos com toda a confiança: se tiverem oportunidade de estudar em Coimbra, façam-no e vivam cada momento como se fosse o último.

Quem estuda em Coimbra, não esquece os momentos que passou. Na altura da despedida, fica a saudade de um tempo que não volta, mas que vai durar para sempre. Eternizado na memória de cada um que por lá passou.

A ti, Coimbra dos meus encantos, digo-te até já. Nunca será uma despedida. 

 

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