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Quando entrarmos para o ensino superior, o nosso primeiro pensamento passa por achamos que aqueles serão os melhores anos da nossa vida. Um texto de Marta Fernandes.

“Agora é que vai ser curtir a vida ao máximo e estes serão os melhores anos da minha vida.” Este é, talvez, o primeiro pensamento que muitos de nós temos quando nos apercebemos de que vamos entrar no ensino superior. Como em vários momentos na vida, criamos uma expectativa, que, por vezes, não passa disso mesmo, porque na vida real as coisas nem sempre são assim. Mas há situações em que as surpresas acontecem, e ainda bem. No meu caso, foi precisamente assim, porque os anos que, até agora, vivi enquanto estudante universitária, superaram as minhas expectativas.

De cada vez que pensava na palavra universidade, a minha mente saltava para coisas como praxe, saídas à noite, dividir casa com outras pessoas, estudar, professores chatos, amizades para a vida e estar longe de casa. Mas serão mesmo os melhores anos da nossa vida? No meu caso, sim. Fui estudar para Viseu em 2018, uma cidade que me aquecia o coração, mas ajudou o facto de, ao longo de todo o processo, ter sempre gostado do que estava a estudar e dos amigos com quem pude criar boas memórias.

Em relação à praxe, esta foi uma experiência que me surpreendeu. Estava à espera de encontrar um ambiente muito mais rígido, em que, se estivesse predisposta a isso, iria ser rebaixada ou fazer atividades que, para mim, não faziam qualquer sentido. Sei que esta realidade variará sempre de universidade para universidade, mas, na minha opinião, devemos sempre colocar um travão quando achamos que uma certa atitude não está correta. 

Uma pessoa trajada não é mais nem menos do que nós. E, por isso, posso dizer que a praxe foi onde comecei a criar os primeiros laços de amizade, onde conheci a cidade, onde cresci, onde percebi quais eram os meus limites e onde consegui, sem medos, expor a minha opinião. Foi, inclusive, através dela que consegui conhecer a minha madrinha de praxe, uma amiga que já considero ser para a vida. 

Quanto à vida académica, consegui sempre conciliar os estudos com as minhas saídas ou convívios. Não sou de sair muito, mas sempre que me apetecia e podia, lá ia eu. Considero que é muito importante — e faz parte da experiência — sair e aproveitar ao máximo o que está à nossa volta, tendo sempre noção do que estamos a fazer e das nossas responsabilidades. 

Ok, mas e sobre essa coisa de ter de dividir casas com pessoas estranhas? O que posso dizer é que poderão ou não tornar-se tuas amigas. Independentemente disso, o importante é que fiquem delineadas regras e tarefas para cada um. Aém disso, é imoportante haver respeito e saber que crescemos todos de maneira diferente — e, por isso, a compreensão e paciência são muito requisitadas. Neste ponto, a minha expectativa não fugiu da realidade. Partilhei casa com pessoas que eram apenas colegas de casa, e não amigos, e cresci muito com as situações menos boas com que tive de lidar. A experiência foi boa, no geral, mas é claro que podia ter sido melhor.

E sabem aqueles professores chatos que apanhamos ao longo do curso e dos quais já sabemos os nomes, mesmo antes de as aulas começarem? Não aconteceu. No meu percurso universitário, nada do que pensava aconteceu. E ainda bem. Foi desde o primeiro instante que adorei o meu curso e isso também se deve muito ao facto de ter tido excelentes professores a acompanharem-me. 

Como em tudo na vida, nada é uma certeza. Podemos delinear que, para chegar a a um determinado objetivo, termos de percorrer um determinado percurso. Mas nem sempre tem de ser assim.

O percurso de um estudante também passa por esta quebra de expectativas. No geral, as minhas foram superadas, mas é evidente que temos que estar prontos para que o inverso aconteça. E está tudo bem. Tudo tem uma razão de ser. 

 

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