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Chega o dia de saírem os resultados das candidaturas e tu já só queres receber um email a dizer “foi colocado em…” – e começas a imaginar a tua nova vida. Podes ir estudar para outra cidade ou ficar na tua terra-mãe, mas irás sempre ver a cidade com outros olhos. No meu caso, quando se aproximava a altura de saber para onde ia viver nos próximos três anos da minha vida, eu já só queria entrar na minha segunda opção, na cidade das rotundas e do Viriato – Viseu. 

Ao que parece, naquela noite, quando recebi o tão esperado email, vi que o meu desejo se iria concretizar. Não vivo muito longe da cidade que me recebeu, mas obviamente que, só por mudar de ares, a minha vida iria sofrer algumas alterações. Podemos conhecer a cidade, de passeios que já fizemos ou, no meu caso, nem que fosse pela bela referência do Palácio do Gelo, mas, ao viveres nela, a tua visão muda completamente. Parecendo que não, temos um percurso pela frente, e não é só o da faculdade, mas também o de conhecer a nova cidade e de nos conseguirmos integrar.

Na minha terra, já todos nos conhecemos. Somos uma comunidade que conhece praticamente todos que ali vivem. Conhecemos a tia Fernanda da mercearia, a senhora Amélia que trabalha naquele que é o restaurante mais típico da cidade, o senhor Francisco que tem o maior prazer em colocar os teus sapatos a brilhar, entre outras pessoas que te recebem sempre com o maior sorriso e vontade de ajudar. Mas, de repente, vês-te sem essas pessoas que já te conhecem tão bem e é como começar do zero. Vais em busca, na nova cidade, de saber qual o melhor cafezinho, o restaurante que te vai aquecer o estômago, do local onde vais encontrar aquele “fino” bem fresquinho e do aconchego que necessitas para conseguires chamar “casa” a esta tua nova cidade.

No início, sentia-me perdida, não conhecia os caminhos, não conhecia as pessoas, não sabia onde é que podia ir buscar determinada coisa à última da hora, não sabia como seriam os meus amigos, nem as pessoas com quem ia partilhar casa. Todavia, como muitos defendem – e eu particularmente também – com o tempo, tudo vai ao sítio. Começas a fazer novas amizades e com elas vais explorar os melhores spots da cidade, vais àquele bar em que passar horas e horas, começas a saber que ir pela rua x vai demorar menos 5 minutos (para quando estiveres atrasada para as aulas), e assim, aos poucos e poucos, sem te aperceberes, estás a viver numa nova realidade, mas que é igualmente boa em relação àquela que estavas habituado. 

A minha experiência foi assim. Cheguei cheia de medo e saí cheia de saudades. Conheci pessoas que levo para a vida e cheguei ao final a sentir que mudar de ares é bom. A integração numa nova cidade é boa, são desafios atrás de desafios, e quando dás por ti estás a chamar “casa” ao que inicialmente era um buraco escuro para ti. 

 

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