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Uma pessoa com “zero presença online” tende a ser inevitavelmente mais misteriosa, o que pode (ou não) contribuir para a vontade de a conheceres melhor. Mas as vantagens não ficam por aqui.

Navegar pelas redes sociais de alguém tornou-se, para muitos, um ritual indispensável antes de qualquer encontro. Seja para encontrar amigos em comum, descobrir potenciais interesses ou até para perceber se, de facto, a pessoa em questão está (ou não) emocionalmente disponível. Já que, atualmente, uma grande fatia dos utilizadores de redes sociais tende a expor o seu dia a dia, de forma descontraída, despreocupada e, acima de tudo, inconsequente, no universo digital. 

Mas nem sempre é possível e nem todos somos um livro aberto, digitalmente falando. Há momentos, ainda que raros, em que nada se encontra. Não há Facebook com fotos de jantares de curso, não há Instagram com stories constantes ou até Twitter repleto de opiniões. 

Nada. Não há rigorosamente nada. Às tantas, instala-se o mistério e, com ele, a vontade de explorar e conhecer também se intensifica. 

Mas, afinal, o que faz com que estar offline se revele tão atraente? 

James Preece, especialista em encontros, explica que, muitas vezes, as pessoas são atraídas pelo mistério em geral, principalmente quando se trata de relações amorosas – e isso estende-se às redes sociais. 

 “Se não podes estar a perseguir alguém e descobrir o que se está a passar, então vais ficar intrigado”, diz, em entrevista à revista “VICE”. “Qualquer tipo de mistério ou indisponibilidade é imediatamente uma qualidade atraente”.

“Sem as redes sociais, ou por ter uma conta privada, podes despertar a curiosidade de alguém para te conhecer melhor no mundo real”, completa Hayley Quinn, especialista em encontros.

 Não procuramos informação, procuramos defeitos

Ainda neste sentido, importa refletir sobre o verdadeiro motivo pelo qual estamos a navegar pelos perfis e redes sociais de alguém. Queremos encontrar informações ou apenas características passíveis de julgamento?

“Muitas vezes as pessoas procuram por razões para não namorar (ou sair) com alguém”, explica Preece. “Quando não se pode fazer isso, tudo o que se pode fazer é dar-lhes uma oportunidade. Sem estar forçado a rejeitá-los.”

 Se parece superficial julgar alguém com base na sua presença online é porque provavelmente é. E, em termos práticos, de pouco ou nada serve. Já que o número de seguidores, qualidade das selfies ou até talentos para o TikTok em nada vai afetar a química real, quando estiverem juntos, em carne e osso.  

“O mínimo de que precisas para progredir com qualquer tipo de experiência romântica é alguém que esteja disposto a investir o seu tempo em ti”, diz Quinn.

Ou seja, da mesma forma que alguém te pode atrair pelas fotografias do Instagram, o mistério inerente à falta destas pode despertar em ti exatamente o mesmo efeito. No entanto, o que te atrai numa primeira instância tende a revelar-se irrelevante quando se trata de compatibilidade a longo prazo. 

Por isso, sim, apagar as redes sociais pode tornar-te mais misterioso e, consequentemente, mais atraente, mas não é um fator relevante quando ultrapassada a barreira digital.

Gostos e seguidores à parte, na vida real, de carne e osso, prevalece a química.

 

 

 

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