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Entrar no ensino superior é sempre difícil – seja pelas médias, que têm vindo a aumentar exponencialmente, seja pelas expectativas que depositamos nessa experiência. Hoje, quer já lá estejas ou para lá desejes ir, trago-te um guia que creio ser extremamente útil para sobreviveres.

Há situações para as quais não estamos preparados e, spoiler alert, entrar na faculdade é uma delas. Atrevo-me a dizer que não interessa o quão bem preparado achas que estás; eventualmente, acabarás por cruzar-te com algo (ou alguém) que te faz pensar sobre a escolha que fizeste para os próximos três anos. Confesso que o bilhete que compramos para embarcar nesta viagem académica pressupõe um percurso atribulado, mas não desanimes já, porque, nesta experiência, nem tudo é mau. 

A validade do feedback 

Vamos por partes. Faz parte do processo de ingressar no ensino superior reunir uma panóplia de opiniões em relação ao que se avizinha. Por isso, o primeiro passo é ter a consciência de que o feedback que recebemos de outros alunos sobre a instituição e sobre o curso é meramente subjetivo. Por isso, agradece-lhes pela partilha, mas tem sempre em conta que a possibilidade de teres uma experiência diferente (para melhor ou pior) é bastante grande. Provavelmente vais gostar de determinadas unidades curriculares pelas quais ninguém desperdiçava o seu tempo – e vice-versa, claro. Também não vale a pena começares a tua vida académica com medo do professor daquela cadeira de que ninguém gosta. Dá tempo ao tempo e vai tirando as tuas próprias conclusões, em tempo útil – quem sabe se ele não passa a ser o teu professor preferido? 

Mesmo que a profecia acabe por se cumprir e esse professor, efetivamente, nunca adquira esse estatuto, não deixes que a colisão de personalidades determine o teu percurso. Eu sei, eu sei; enquanto seres humanos temos a tendência de levar as coisas para o lado pessoal, mas até que ponto é que deveria ser esse o caso, neste contexto? 

A difícil gestão do tempo

No início do ano, uma onda de deadlines vai passar-te por cima. Vais, consequentemente, sentir-te assoberbado com a quantidade de entregas e tipologias de trabalhos diferentes, que necessitam de muita disponibilidade para a respetiva execução. Por isso, em vez de ignorares o “elefante na sala” até à véspera, vai trabalhando atempadamente. 

Em simultâneo, falando por experiência própria, não sintas que a tua vida social tem de ser posta em pausa em prol destas tarefas. Acredita em mim, não queres olhar para trás, quando chegares ao último ano da tua formação, e padecer de um sentimento de culpa proveniente dessa má gestão da tua agenda. Aliás, com as situações stressantes que se vão cruzar no teu percurso, vais agradecer aos teus amigos por serem a tua forma de escape. Aproveita – a little party never killed nobody, já dizia o eco popular.

O sucesso dos outros não é a tua derrota

Vais encontrar na tua turma pessoas com diferentes pontos fortes e, admito, algumas vão deixar-te inseguro e a duvidar das tuas capacidades. Haverá até, certamente, quem pareça que foi feito para vingar na área que escolheu e que tu, pelo contrário, serás apenas mais um. Por isso, tem a consciência de que estarás inserido num ambiente propício a constantes comparações, porque o teu colega do lado teve melhor nota nisto e o da frente recebeu um elogio por aquilo – mas, calma, o sucesso dos outros não é a tua derrota. 

Não te compares, uma vez que a linha que separa esta dimensão do domínio da autossabotagem é muito ténue – e, muitas vezes, ao pisares o risco, entras numa espiral depreciativa cujo preço (a tua saúde mental) é inegociável. Todos têm qualidades e tu não és exceção. Foca-te em ti, no teu trabalho e tenta ser a melhor versão de ti mesmo. Até porque não há melhor e mais frutífera competição do que a que ocorre entre o “eu” presente e o “eu” futuro – a tua única competição deve ser tu mesmo.

Sair da tua bolha

Sair da bolha à qual estás circunscrito é fulcral, em todos os aspetos – seja no que toca a relações interpessoais ou, até mesmo, a novos projetos. No que às amizades diz respeito, não te limites às primeiras que foram construídas no primeiro dia de aulas, fruto do desespero pela integração – mantém-nas, mas deixa opções em aberto. Entraste num universo novo e há uma multiplicidade de pessoas para descobrir – e, algumas delas, vão ser o teu verdadeiro ombro amigo nos mais diversos momentos (e, convenhamos, vão emprestar-te apontamentos).

Quanto a questões mais sérias, tenta inserir-te em projetos relacionados com a tua área. Eu sei que, ainda há pouco, leste sobre a falta de tempo pela qual o ensino superior é pautado, mas o currículo não se constrói sozinho. A formação fica sempre mais completa quando, por iniciativa própria, decides ganhar experiência – e é verdade quando dizem que a experiência é impagável. Dá-te espaço e tempo para crescer, vai bebendo da sabedoria de quem te quer ensinar e vais conseguir entrar no mercado de trabalho muito mais preparado e apto para enfrentar todos os desafios. O mais desafiante é, francamente, lá entrar – mas isso é um tema para depois.

Posto isto, creio que, se seguires estes passos, a tua experiência será muito melhor. Estes são, supostamente, os melhores anos das nossas vidas – ainda hei-de perceber qual é o fundamento por detrás de tal afirmação. Uma coisa é certa: chegar ao fim, com a sensação de dever cumprido, é gratificante.

 

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