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A pandemia trouxe mudanças significativas em várias áreas da vida social, inclusive no primeiro dia de aulas de muitos estudantes. Um texto de Catarina Baptista.

É inegável que todos, sem exceção, viram as suas vidas sabotadas pelo coronavírus, contudo, a incerteza que espera os jovens intensificou-se e o futuro tornou-se para estes ainda mais obscuro. Não obstante, há algumas seguranças que se podem garantir desde o início. Que pais querem perder a primeira palavra do seu bebé? A verdade é que há primeiros passos essenciais para o começo de uma nova etapa. Nenhum bebé começa a ler antes de saber balbuciar algumas palavras, tal como nenhum estudante quer perder o seu primeiro dia de aulas na faculdade. Imaginemos, então, que esse primeiro dia de aulas não existe.

A verdade é que muitos alunos perderam imensas experiências devido à pandemia e, embora o primeiro dia de aulas não tenha sido anulado, não deixa de ser real que esse primeiro dia na faculdade foi em muito condicionado pelas normas naturalmente impostas pela presença do vírus. É de notar que tem havido um esforço por parte dos estabelecimentos de ensino para compensar, de alguma forma, os estudantes pela experiência insuficiente do primeiro dia de aulas na faculdade. Antes do aparecimento da COVID-19, os estudantes tinham a possibilidade de conhecer os colegas, divertirem-se na primeira festa ou convívio académico, assistir à abertura do ano académico, ser recebido pelos alunos mais velhos, entre outras experiências. Desde o passado ano que os comumente chamados “caloiros” – tal como os demais estudantes — são forçados a usar máscara que não só dificulta o processo de estabelecer contactos com outras pessoas, como funciona como um catalisador de insegurança. Além disso, a separação entre as cadeiras nas mesas das salas de aula contribuem, também, para essa inibição social.

O natural medo dos jovens de não se integrarem torna-se muito maior. O próprio ano letivo, em termos de aproveitamento, foi bastante condicionado. As aulas online foram um pesadelo para alguns jovens, de todas as idades, mas é na faculdade que é suposto nos prepararmos para o mercado de trabalho – ou pelo menos assim nos dizem. A falta de contacto com o professor, o défice no acesso a materiais de apoio ao estudo e de consulta diretamente com o docente, os problemas técnicos derivados do próprio formato online de aulas são entraves ao sucesso dos alunos… Tudo contribuiu para um enorme desgaste.

Como incentivar os estudantes para a vida académica na era da pandemia? O primeiro dia de aulas pode ser um boost de confiança e motivação. É o primeiro balbuciar de palavras de um bebé que não pode faltar. É uma etapa que é muitíssimo importante para quem é embrionário neste caminho novo e assustador. Que palavras de incentivo podemos transmitir a estes nossos jovens, o futuro do nosso País, que tanto aguardaram por este dia especial? Se isto fosse uma receita diria que é preciso uma pitada de realismo e uma dose de confiança. É preciso lembrar-lhes que devem tentar aproveitar a experiência académica que lhes espera pelos três anos que se seguirão, com segurança e sem esquecer a realidade que estamos a viver. 

 

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